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A História de Um Cabelo por Idaisa Fernandes

Por ver e participar de campanhas para corte de cabelo, com doação dos mesmos para fazer perucas para mulheres em tratamento quimioterápico, que resolvi contar um pouco da minha história, da queda dos meus cabelos. Em 28/06/2010 descobri um câncer de mama, e já no dia 16/07/2010tinha colocado o meu querido cateter e dava início à primeira sessão de quimioterapia. O protocolo previa 16 sessões de quimioterapia, que terminaram em 17/12/2010.

Acho engraçado quando algumas pessoas falam assim: “Ah, a queda de cabelo não é nada, depois cresce. Olha o seu já está lindo de novo!” e quando outras dizem:“a queda do cabelo è irrelevante, pois o importante é ficar curada”. Infelizmente não é bem assim! Não só a queda do cabelo, como também as falhas de cabeloque surgem são o retrato do tumor, baixam nossa autoestima e nos deixam triste, aí é quando precisamos ter força, fé e paciência, pois passará e renasceremos novamente para a vida.

Quando meu cirurgião oncologista me disse sobre meu protocolo, fiz 3 perguntas: Tenho chance de viver? O único tratamento possível é a quimioterapia e a cirurgia de mastectomia? Meu cabelo vai cair? Ele me olhou e respondeu: “Você vai ficar boa, mas precisa estar e ser forte para aguentar o tratamento; seu cabelo começará a cair após a 2ª quimio.” Sai do consultório dizendo a mim mesma: só tenho uma opção se quero viver: reagir, tentar viver feliz este período, pois estava com uma doença grave, mas que tinha cura e eu estava VIVA!

Fui direto à uma loja de perucas com fios naturais e chegando lá vi uma peruca com mesmo corte e cor que os meus cabelos. Provei, ficou ótima e comprei. Sai usando e dizendo que era para me acostumar. Até brinquei mandando fotos para a família, perguntando qual era meu cabelo e qual era peruca. Estava começando a jogar o jogo do contente.

Como meu médico havia me dito, logo após a 2ª quimio os cabelos começaram a cair, então resolvi cortar bem curtinho. Comprei uma nova peruca com este novo corte. Fiquei me acostumando com o novo visual, de modo a não sofrer muito quando chegasse a hora de ficar totalmente careca.

Ocorre que, a cada banho que eu lavava os cabelos, era um sofrimento; pentear os cabelos outro sofrimento; acordar e ver o travesseiro cheio de fios mais outro. Na medida em que as falhas de cabelo na cabeça iam aumentando, o meu sofrimento também. Não consegui tirar nenhuma foto desta época. Então, após concluir o 1º ciclo do tratamento (três meses – 12 quimios brancas), resolvi passar a máquina zero e ficar totalmente careca, já estava sem cílios, sem pêlos no corpo e a sobrancelha era tatuada, com o intuito de acabar meu sofrimento por causa do cabelo. Além de toda esta dor e da luta para mantermos a autoestima lá em cima, a queda de cabelos doía muito, a cabeça estava super sensível, não estava nem conseguindo ficar muito tempo encostada à cadeira do cinema (adorava sair de segunda a quinta para assistir filmes, teatros, shows, etc.).

Então criei coragem. Raspei a cabeça. Raspar a cabeça foi uma das melhores sensações que tive naqueles últimos meses, fiquei até me achando linda careca. Continuei tentando levar uma vida normal, tentando não me preocupar com os olhares de pena quando eu saia na rua, pois era um alívio para eu não ter mais este sofrimento da queda dos meus cabelos.

Dia 14/01/2011 fiz a minha cirurgia de mastectomia total da mama direita, com a reconstrução da mesma e meu cabelo já estava começando nascer, afinal já tinha se passado um mês da minha última quimio.

Quando os cabelos começam a nascer pela primeira vez é estranho, pois os fios nascem grossos e com ondas, mas à medida que nascia, ia cortando e após o 2º ano voltou a ser como antes. Ninguém imagina a alegria que é voltar a lavar os cabelos, usar condicionador, pentear com escova, ir ao salão de beleza. É uma felicidade indescritível! E quando o cabelo volta a ser como antes, a felicidade é total e completa. Levo a vida da forma mais leve e menos estressante, faço uma alimentação saudável, exercícios durante seis dias na semanae revisão médica com exames a cada seis meses.

Estou viva, celebro a vida diariamente e agradeço ao cara lá de cima, aos meus médicos, a minha família e meus amigos! Vâmo que vâmo…

Natal/RN, 03/05/2014 IDAISA MOTA CAVALCANTI FERNANDES

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