• Grupo Reviver

Reportagens – Jornal Nacional

No ciclo natural da vida, a célula humana se divide em duas, depois em quatro, em oito e daí por diante. É assim o tempo todo: células nascem e células morrem. O funcionamento dos órgãos é resultado da atividade de 10 trilhões dessas partículas minúsculas, que é a quantidade de células que cada pessoa tem.

Mas ao mesmo tempo pode ser o começo do fim da vida. Se por uma falha genética, a célula desobedece às ordens de seu núcleo e começa a se multiplicar desordenadamente. Daí surge uma massa chamada de tumor.

Quando não evolui, ele é considerado benigno. Quando ele cresce e interfere no funcionamento dos órgãos, o tumor é maligno e recebe o nome de câncer.

“O câncer, 99,99% das vezes, sem tratamento, é igual à morte”, afirma Riad Yunes, chefe cir. oncológica Hospital São José.

“É uma doença traiçoeira, porque não dói. Às vezes quando dói, já é tarde”, comenta Ademar Lopes, cirurgião oncológico do Hospital A. C. Camargo.

A doença surge por causa de uma falha no DNA, a substância que forma o gene e que contém o código genético de cada indivíduo.

“Quando essa alteração ocorre, ela para de seguir as instruções do organismo, para parar de replicar, para parar de se dividir e para desaparecer. Então, ela se torna imortal, invasiva e pode viajar fazendo a metástase e isso é o que caracteriza o câncer”, explica Paulo Hoff, oncologista e diretor do Icesp. Por ser uma doença de células que mudam a todo instante, encontrar a cura definitiva virou um dos maiores desafios para a medicina.

“Na década de 40, 50, só 20% das pessoas que tinham câncer sobreviviam. Agora não. 60% dos pacientes com câncer se curam”, diz Miguel Srougi, urologista.

O câncer de Aparecida Agda Stoppa foi na tiróide. “Para quem tinha 15 dias, estar aqui há 11 anos, está normal, está bom até demais, viu”, comemora a aposentada.

Todo ano, são quase 13 milhões de casos novos de câncer no mundo. E 7,5 milhões de mortes por causa da doença. No Brasil, surgem por ano 500 mil novos casos e 150 mil pessoas morrem.

A ONU estima que em 2030, haverá 13 milhões de vítimas fatais do câncer. Mas por que a doença continua aumentando? A população mundial cresceu e o diagnóstico melhorou.

“Nós temos cada vez mais pessoas chegando na terceira idade. E, infelizmente, o câncer está associado com idades mais avançadas”, aponta Hoff.

A poluição do ar, os raios solares e a má alimentação ajudam a explicar o aumento dos casos.

A doença ainda pode passar de pai pra filho.

Em um laboratório de anatomo-patologia são analisadas aquelas pequenas partes de tumor que são retiradas do paciente. Só olhando as lâminas no microscópio é que o médico vai saber com precisão o tamanho da encrenca. “A primeira pergunta que acho que todo mundo se faz: por que comigo?”, comenta a analista de sistemas Carmen Lívia de Sousa.

“Você perde o chão. É bem difícil. Falar nisso até hoje é difícil”, afirma Francisca Suassuna Diniz, dona de casa.

Mas, para os médicos, o câncer não pode mais ser visto como o fim da linha.

“Está mudando muito a impressão que a população tem em relação à doença são os testemunhos de pessoas públicas que dizem em público que tem a doença, que está se tratando”, conta Marcos Moraes, presidente da Fundação do Câncer.

Foi o caso de Lula, Dilma, Gianecchinni, Ana Maria Braga, Patrícia Pillar. E de Eliane Severo também. A motorista contou tudo para as filhas. “Com todas as letras, não escondi nada. E não escondo nada de ninguém”, afirma.

Mais de 100 tipos de câncer já foram identificados. O que mais mata no mundo é o de pulmão. E 70% dos casos são provocados pelo cigarro. Depois do de pulmão, entre os que mais matam no mundo, aparecem o de estômago, fígado, intestino, mama. Entre os homens, outro muito frequente é o de próstata – uma glândula que faz parte do sistema reprodutor masculino.

“18% dos homens vai ter câncer de próstata. Mas só 3% morrem de câncer”, aponta Srougi.

Nas mulheres, o câncer de mama é o pior de todos. No Brasil, por ano, são quase 13 mil vítimas fatais e 53 mil novos casos. Em seguida, vem o câncer de colo de útero.

Esporte sempre foi a paixão da vida de Kamila Rizzi. E ela não desistiu mesmo depois de descobrir um câncer nos ossos de uma das pernas. O tratamento foi radical.

“Eu vi meu pai. Aí ele: ‘Filha, não deu. Precisou amputar’. E eu falava para ele: não tem problema. O importante é que eu estou viva”, lembra.

Viva e jogadora da Seleção Brasileira Paraolímpica de Vôlei. “A força está aqui dentro. O que a gente quer, a gente consegue. A cura é possível”, afirma.

Fonte: Jornal Nacional / Portal G1

Para ver o vídeo da reportagem, clique aqui

0 visualização0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

De acordo a Sociedade Brasileira de Mastologia, “o câncer de mama consiste em um tumor maligno que se desenvolve a partir de células da mama. Geralmente, ele começa nas células do epitélio que reveste